É importante ser capaz de prever os futuros acontecimentos e de projetar as próprias ações, como forma de tomar as melhores decisões e de dar a melhor resposta possível às situações que surgem a todo o momento. Uma das grandes dificuldades aqui prende-se com o conseguir perceber aquilo que aconteceu e que está a acontecer ao nosso redor, isto é, conseguir entender a informação e os eventos que resultam do meio envolvente; o que constitui a nossa realidade.

A esta capacidade de compreensão do meio e das situações envolventes, designamos por “consciência situacional”.

A consciência situacional pode ser vista como o resultado das análises e das avaliações contínuas que realizamos das situações com que nos deparamos, as quais pode sem simples, ou até mesmo inconscientes, ou bastante elaboradas. Devido ao grande volume de situações e de estímulos diários que chegam aos nossos órgãos sensoriais, o nosso cérebro desenvolveu diversas estratégias de processamento da informação que visam facilitar essas mesmas análises ou avaliações. Embora essas estratégias facilitadoras sejam fundamentais para a nossa própria sobrevivência, caso contrário a insânia seria o nosso destino mais provável, também têm os seus contras… Conforme referido pelos autores Endsley e Jones (2004), são vários os estudos que mostram que a maioria dos erros humanos acontece devido a problemas ou limitações relacionadas com a consciência situacional. Os erros, segundo esta perspetiva, não acontecem devido à simples má tomada de decisão; resultam, sobretudo, de uma pobre compreensão das situações.

Por vezes, o simples facto de estar demasiado focado em aspetos particulares da vida ou do trabalho, sobrecarregar-se com um grande volume de tarefas e de responsabilidades, receber e processar excesso de informação diária, sofrer grande pressão pelas chefias e de apresentar sintomas de fadiga, de stress e de ansiedade pode condicionar a capacidade do indivíduo para analisar e avaliar a informação proveniente do meio, da forma mais correta. Além disso, os erros provenientes da pobre consciência situacional podem surgir da percepção inadequada da informação, de falta de informação relevante, de informação difícil de discriminar ou de detetar, de limitações ou utilização de modelos mentais incorretos e da dificuldade em circunscrever múltiplos objetivos. Viver em ambientes demasiado ambíguos ou, por outro lado, extremamente confortáveis que gerem elevados níveis de acomodação ou de habituação pode, do mesmo modo, induzir à perda de consciência situacional. Também as nossas experiências passadas são traduzidas em imagens mentais que facilitam a nossa ação perante situações presentes ou futuras. No fundo estas imagens mentais consistem em evocações simbólicas de realidades ausentes (Piaget, 1961), isto é, são meros atalhos cognitivos e nunca realidades concretas, que podem ter um enorme poder sobre a forma como nos comportamos e com que intenção o fazemos e sobre o que focamos a nossa atenção; daí a resultar em maior facilidade na ação, mas também em maior probabilidade de erro.

A consciência situacional envolve a perceção e a consciência dos elementos que compõem e que afetam o ambiente, o conhecimento dos acontecimentos passados, a compreensão da situação atual e a projeção das ações e do estado futuro. O conhecimento é um dos fatores que influencia, diretamente, a consciência situacional, sendo este desenvolvido pela formação e experiência pessoal que decorrem ao longo da vida. A atitude é também um fator imperioso a este respeito, uma vez que, por exemplo, a impulsividade, a perceção de invulnerabilidade e a postura de anti-autoridade, podem levar os indivíduos a cometerem erros críticos devido à carência de consciência situacional. Em alguns casos, o acompanhamento psicológico é necessário para que o indivíduo seja capaz de tomar consciência do meio envolvente, alcançando bases sustentáveis para a tomada de decisão, assim como, de identificar e de corrigir as atitudes que são, aparentemente, perigosas, ou que o prejudicam o indivíduo de alguma forma.

Referências:
Endsley, M. R., & Jones, D. G. (2004) Designing for Situation Awareness: An approach to user-centred design (2ª ed.). Nova Iorque: CRC Press.
Piaget, J. (1961). Les Mécanismes Perceptifs: Modèles probabilistes, analyse génétique, relations avec l’intelligence. Paris: PUF.

Autor: Luís Vieira | luisvieira@shalumspa.com

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